O google nos domina?

Sem querer achei na Revista Espirito Livre uma coluna do Alexandre Oliva sobre a desistência, por parte dele, do google. E dá uma boa reflexão sobre a “googledominação”

Ah!, a Falta que Ela Faz

Alexandre Oliva <lxoliva@fsfla.org>

Publicado na décima-primeira edição, de fevereiro de 2010, da Revista Espírito Livre.

Uma porção de gente já ficou sabendo que, em pleno Carnaval, decidi interromper um longo relacionamento. Pra quem não viu, segue cópia da carta aberta que escrevi para quem me traiu minha confiança:

Caro Google,

Estamos juntos há vários anos, mas devo dizer que ultimamente vinha pensando cada vez mais em romper com você. Sua recente traição pública me fez decidir que não quero mais estar envolvido com você. Entendo que seja Dia de São Valentim, que é dia dos namorados no seu país de origem, e também Carnaval, mas… o que você esperava que eu fizesse? Confiança é algo que se constrói com dificuldade ao longo de anos, mas se perde numa fração de segundo.

Faz tempo que lhe dou acesso a algumas partes íntimas da minha vida. No começo, eram só arquivos de listas públicas. Aí, você me ajudou a manter contato com amigos que de outra forma eu talvez nunca mais encontrasse. Aí você começou a escutar minhas conversas, mas até isso era mais ou menos ok, pois eu tinha aceitado, não tinha? Você sempre disse que eu podia confiar em você, e eu confiei. Não parecia que você iria compartilhar a informação particular que eu compartilhei com você, então a confiança foi aumentando ao longo dos anos.

Mas outro dia conheci um lado seu que não conhecia, dizendo na TV o quanto você valorizava a privacidade: que se havia alguma coisa que eu não quisesse que ninguém soubesse, eu não deveria fazer essa coisa. Ainda assim, achei que fosse um simples engano seu, e que eu ainda podia confiar em você, então eu continuei com você.

E aí o Buzz me atingiu. Foi demais pra mim.

Até onde sei, não dependo de minha privacidade neste momento para minha segurança física, como Harriet Jacobs, ou para o desempenho de meu trabalho, como jornalistas que tiveram suas fontes expostas quando Buzz foi empurrado para cima deles.

Mas, assim como confiança, privacidade é algo que custa dedicação ao longo de anos, e um pequeno erro desfaz um monte de trabalho duro. Não quero esperar pelo dia em que eu perceba que preciso de minha privacidade de volta.

Google, perdi a confiança que tinha depositado em você, mas não acho que seja tarde demais para eu evitar perder também minha privacidade. Estou fechando nossas contas conjuntas, esvaziando as gavetas que você reservou para mim no seu closet, destruindo as chaves depois de trancar as portas, e não vou lhe deixar mais acessar minhas partes íntimas.

Também estou dizendo a todos os nossos amigos que eu terminei com você, e por quê. Também vou convidá-los a se manterem em contato comigo através de outros meios.

Para mensagens instantâneas, podem chegar a mim em lxoliva@jabber.org e lxoliva@jabber-br.org. Mesmo aqueles que escolham continuar com você podem registrar esse endereço alternativo no GTalk, ainda que eu preferiria que se registrassem em jabber.org usando alguma implementação em Software Livre do protocolo de mensageria instantânea XMPP adotado pelo GTalk, como o Pidgin.

Para redes sociais, vou continuar com a rede do PSL-Brasil, que roda Noosfero, e gNewBook, construído sobre elgg. Não se preocupe, Google, não vou entrar no Facebook, seria pelo menos tão burro quanto continuar no Orkut.

Para microblogging, continuo no identi.ca, que roda StatusNet.

Pidgin, Noosfero, elgg e StatusNet são todos Software Livre. Eles respeitam as liberdades essenciais de seus usuários, inclusive usuários através da rede. Eu sei que tenho direito de compartilhá-los com meus amigos, adaptá-los para minhas necessidades, instalar minhas próprias cópias e configurar minhas próprias redes interoperáveis se eu quiser, e muito mais. Ao contrário de outros serviços de microblogging, redes sociais e mensagens instantâneas. E, ainda por cima, estou amando desenvolvedores deles.

Quanto a e-mail, uso lxoliva@fsfla.org para assuntos de Software Livre e oliva@lsd.ic.unicamp.br para outras coisas… E-mail é pra ser particular, então não recomendaria usar qualquer serviço de terceiros, mesmo que construído sobre Software Livre. Nao é difícil configurar seu próprio serviço de e-mail via web; eu mesmo administro os servidores dos dois endereços pessoais que uso. Não têm um exército de empregados seus por trás deles, mas dada a entrevista do funcionário do Facebook, um exército assim parece mais uma maldição que uma bênção.

Google, se precisar, você sabe onde me encontrar e, se não soubesse, há outros serviços de busca por aí que podem saber. O mesmo vale para todos os meus amigos. Vejo vocês por aí.

Até blogo,

Já faz quase um par de semanas que tomei a decisão e, olha… Uma coisa preciso reconhecer: foi bem fácil deixar tudo para trás.

Não me agrada entrar em relacionamentos de dependência, então eu já mantinha cópia local de todos os meus dados: mensagens, contatos, calendários, etc. Google sempre fez questão de me deixar manter essas coisas, abertamente, inclusive em formatos abertos livres, pra que, se um dia eu quisesse ir embora, eu não seria impedido. É uma atitude exemplar, digna de respeito e admiração, pois não se vê muito por aí.

Outra coisa que meio que me surpreendeu foi que eu continuei usando alguns serviços que não esbarravam em questões de privacidade. Busca e mapas foram os que eu percebi: podem ser usados anonimamente, uma vez removidos os biscoitinhos que Google continua me mandando, mas já não aceito mais.

Dos outros serviços, não senti falta. Pelo contrário: estou livre do ruído constante do Orkut, não preciso mais fazer controle duplo de Spam (e se alguém mandasse mensagem pro endereço do GMail e caísse na caixa de Spam da qual não tinha como receber cópia automática?), estou tranquilo que a caixa do GMail não vai lotar de novo, não preciso mais ver como fazer pra separar a parte particular da pública no meu calendário no ORG-Mode do GNU Emacs, nem tentar achar um jeito de alimentar o calendário do Google a partir dali.

O melhor de tudo é que ninguém mais fica pensando que eu passava o dia no Orkut, ou que eu usava a página do GMail carregada de Obfuscript, só porque o Pidgin se registrava com o GTalk. Como poderia sentir falta dessas coisas?

Mesmo assim, uma porção de gente achou o rompimento exagerado, questionando até se eu não estava usando dois pesos e duas medidas. Na verdade, minha política de evitar confiar informação pessoal a terceiros vem se aguçando há bastante tempo. Google era uma exceção, e deixou de ser, justamente porque já não mais me parece, digamos assim, boa companhia, em que se pode confiar.

Justamente pela espectativa excepcional senti minha confiança traída. Os problemas de privacidade no Facebook, que mencionei na carta, não me surpreenderam; estão mais para típicos que absurdos. Os acidentes que aconteceram no Google no passado, tipo quando gente começou a encontrar, através do serviço de busca, documentos particulares de terceiros armazenados no Google Docs, são parte do risco de deixar a informação nas mãos do outro, por mais responsáveis que sejam. Não dá pra qualificar um acidente desses como traição de confiança.

Mas o caso do Buzz foi diferente. Certamente não foi um acidente na linha daquele do Google Docs. “Fez falta, sim!”, talvez dissesse Arnaldo Cézar Coelho, “falta clara, pra cartão vermelho, muito bem marcada!” De fato, só vejo duas linhas de cenários possíveis que conduzem a essa falta.

Numa delas, algum funcionário, preocupado e responsável, chamou atenção pra questão de privacidade da publicação automática de contatos particulares no Buzz: além de ser um uso público inesperado de informação particular, levanta riscos para relacionamentos pessoais (já em risco, vá lá), para jornalistas e suas fontes anônimas, para ativistas de direitos humanos perseguidos por tiranos (não é irônico que, poucos dias após denunciar a invasão chinesa, Google torna pública a informação que os invasores buscavam?), e sabe lá pra quem mais. Aí, um gerente comercial mais preocupado em tentar ganhar espaço no imenso mercado de redes sociais, em que Google está atrás, descarta a objeção e vai em frente com o plano de construir a rede do dia para a noite com contatos particulares. Péssimo, né?

Noutro cenário, nenhuma das inteligentíssimas pessoas que trabalham para o Google e estavam envolvidas no projeto considerou nada disso. Honestamente, não sei qual das possibilidades é mais preocupante.

Não que eu tenha perdido alguma coisa. Eu era relativamente cuidadoso com as informações que disponibilizava pro Google. Porém, tendo pontos de contato públicos, eu acabava induzindo outras pessoas a compartilharem informação com Google, seja quando queriam entrar em contato comigo a respeito de assuntos pessoais, seja quando simplesmente seguiam o modelo que eu adotava, sem saber dos cuidados que eu tomava. Por isso, achei melhor dar um basta.

Além disso, talvez eu tenha mesmo tomado menos cuidado do que deveria, dadas as novas circunstâncias. Aliás, isso levanta um ponto importante. Tem gente que não está nem aí que seus contatos sejam públicos, e por isso minimiza o problema do Buzz. Mas será que se importaria se o conteúdo de suas conversas ou correios eletrônicos fosse exposto? Desta vez, a informação que Google publicou não lhes incomodaria, mas e da próxima? Quem pode saber que novas circunstâncias surgirão?

A política pode mudar de um instante para outro, como mudou com o Buzz. Apesar de vários dos problemas do Buzz terem sido corrigidos prontamente, a confiança de que essas questões seriam levadas a sério e tratadas adequadamente, de modo a evitar problemas, e sem precisar de protestos generalizados, já se foi. Pena.

Quem já achava que era uma questão de bom senso, que não cabia confiar no Google para questões tão sensíveis como integridade física, contatos com fontes anônimas, redes de combate a tirania, teria enfrentado minha discordância antes, pois eu via Google defendendo na justiça a privacidade até de prováveis pedófilos virtuais. Hoje, concordo: não dá pra confiar a privacidade ao Google, e tenho certeza de que Google já sabe muito bem a falta que a confiança faz.


Copyright 2010 Alexandre Oliva

Cópia literal, distribuição e publicação da íntegra deste artigo são permitidas em qualquer meio, em todo o mundo, desde que sejam preservadas a nota de copyright, a URL oficial do documento e esta nota de permissão.

http://www.fsfla.org/svnwiki/blogs/lxo/pub/falta-que-ela-faz

Wordpress – Mantendo seu blog seguro

Colaboração: Alexandro Silva
Data de Publicação: 24 de fevereiro de 2010

O Wordpress (http://www.wordpress.org/) é atualmente a maior referência em gerenciadores de conteúdo livres. A facilidade de uso permite a criação de um blog em minutos.

Como 99% dos blogueiros estão mais preocupados em disponibilizar conteúdo e monitorar as estatísticas do seu blog, eles acabam esquecendo que existem visitantes sedentos para encontrar vulnerabilidades que permitem ataques como SQL Injection (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sql_injection), Session Hijacking (http://y2h4ck.wordpress.com/2008/01/15/session-hijacking/)

, dentre outros.

Para ajudar blogueiros experientes e inexperientes faço aqui uma coletânea de ações e ferramentas que ajudarão nesta tarefa ardua que é manter seu blog disponível, integro e confiável.

1. Mantenha o Wordpress e os Plugins atualizados – Plugin WordPress Automatic Upgrade (http://techie-buzz.com/wordpress-plugins/wordpress-automatic-upgrade-12-release.html).

2. Faça backups diários – Plugin “http://lesterchan.net/portfolio/programming/php/“>WP-DBManager</a>

3. Altere sua senha constantemente e faça uso de senhas fortes

4. Renomeie o usuário admin – Plugin “http://wordpress.org/extend/plugins/admin-renamer-extended/“>Admin Renamer Extended</a>

5. Elimine plugins desnecessários

6. Conecte usando SFTP ou SSH ao invés do FTP

7. Renomeie as tabelas do Wordpress DB – Plugin WP Security Scan (http://semperfiwebdesign.com/plugins/wp-security-scan/).

8. Oculte o contéudo do diretório Plugins – Faça isso criando um arquivo index.html em branco neste diretório

9. Evite que ferramentas de buscas indexem os diretórios do WP – Faça isso criando um arquivo robots.txt adicionando a linha “Disallow: /wp-*” dentro deste arquivo.

10. Protega a página de login do WP – Plugins Login Lockdown (http://www.bad-neighborhood.com/login-lockdown.html) e Chap Secure Login (http://www.redsend.org/chapsecurelogin/).

11. Bloqueie a navegação nos diretórios – Edite o arquivo .htaccess adicionando a linha “Options All -Indexes”

12. Oculte a versão do WP – Plugin Secure Wordpress (http://wordpress.org/extend/plugins/secure-wordpress/).

13. Faça um scanning de vulnerabilidades no WP – Plugin “http://blogsecurity.net/wordpress/tools/wp-scanner“>WP-Scanner</a>

OBS: Muito cuidado na utilização de alguns plugins. A instalação de muitos plugins podem degradar o desempenho do seu blog.

As dicas apresentadas são bastante simples e bem fáceis de implementar, algumas necessitam de acesso SSH porem alguns webhosts não permitem este tipo de acesso.

Seguem alguns interessantes links que serviram de “inspiração” e que possuem informações importantes e mais completas do que este simples e singelo post.

- 20+ Ways to Harden and Secure  Your WordPress Blog (http://www.stumbleupon.com/su/31hy7F/www.hightechdad.com/2010/01/30/20-ways-to-harden-and-secure-your-wordpress-blog/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&tm_campaign=Feed%3A+hightechdad+%28HighTechDad+Blog%29)

- Hardening Wordpress (http://codex.wordpress.org/Hardening_WordPress).

- 20 Wordpress Security Plug-ins And Tips To keep Hackers Away (http://blog.taragana.com/index.php/archive/20-wordpress-security-plug-ins-and-tips-to-keep-hackers-away/)

- Wordpress Security FAQ (http://codex.wordpress.org/Security_FAQ)

- WordPress Security Links (http://www.prelovac.com/vladimir/wordpress-security-links)

Blog do autor: http://blog.alexos.com.br/

Fonte: Um e-mail que eu recebi do Dicas-L-Owner@dicas-l.com.br

Firefox Addons, Vírus, Malwares e o Linux

Colaboração: Alexandro Silva

Data de Publicação: 13 de fevereiro de 2010

Em 2008 um alerta foi enviado informando que um servidor Vietnamita oficial da Mozilla estava com um Language Pack do Firefox infectado com um malware.

2 anos depois um novo alerta é enviado informando que a versão 4 do addon Sothink Web Video Downloader está infectado com um password sniffer chamado Win32.LdPinch.gen e o Master Filer está infectado com um backdoor trojan chamado Win32.Bifrose.

Atualmente somente os usuários dos Windows são afetados por estas pragas, muito porque estes usuários configuram suas contas com permissões administrativas permitindo que os binários executados obtenham acesso aos arquivos do sistema.

No alerta a Mozilla informa uma lista de AVs que detectam os arquivos infectados indicando inclusive o serviço online Virus Total.

Um conselho de amigo, não deleguem aos AVs a responsabilidade de proteger suas máquinas, os vírus e malwares atuais possuem a capacidade de detectar e desativar o AV instalado. O ideal é unir essa proteção básica pelo menos a um firewall pessoal.

Existem soluções que unem Firewall pessoal + IPS + AV + Antispam, ampliando muito a proteção contra essas ameças.

Para finalizar recomendo aos usuários do melhor S.O. do planeta ( LINUX ) que fiquem atentos pois o desenvolvimento de pragas com disseminação em massa para este ambiente é questão de tempo. Possuimos algumas vantagens em relação aos usuários do Windows são:

  • Usuários comuns não possuem permissão de gravação no sistema;
  • Normalmente o que o usuário faz fica em seu /home, bastando apagar seu perfil para que o sistema volte ao nomal. Pelo menos em teoria.
  • Não possuimos uma grande base instalada em desktops.

Recomendo aos linuxeres a instalação do FireStarter, como uma camada extra de segurança, excelente ferramenta gráfica para manutenção do iptables. Após instalado ele dá conta do recado negando qualquer acesso externo a máquina por padrão.

Fonte: Infected add-ons found on Mozilla download site

Anonimato e a Internet, por Bruce Schneier

Enviado por Lucas Teixeira, qua, 03/02/2010 – 17:30

ATENÇÃO: Esse artigo é uma tradução não-oficial de Anonymity and the Internet, de Bruce Schneier, escrito em 3 de fevereiro de 2010.

ATENÇÃO 2: O Bruce Schneier, no artigo original, trata “hacker” e “invasor” meio que como sinônimos. Deixando claro aqui que há uma eterna discussão entre o uso da palavra “hacker” nesse sentido (devemos usar “cracker”? “cracker” não seria alguém que quebra programas e faz engenharia reversa? etc), não vou modificar a intenção do autor nesse caso.


A identificação universal é tida por algumas pessoas como o santo graal da segurança na Internet. Anonimato é ruim, segundo eles; e se nós o abolirmos, teremos certeza de que só as pessoas legítimas terão acesso á suas próprias informações. Saberemos quem está nos mandando spam e quem está tentando invadir redes corporativas. E quando houver ataques de negação de serviço, como aqueles contra a Estônia ou a Geórgia ou a Coréia do Sul, saberemos quem foi o responsável e tomar as providências adequadas.

O problema é que isso não vai funcionar. Qualquer design da Internet deve permitir o anonimato. A idenfiticação universal é impossível. Até mesmo a atribuição — saber quem é o responsável por um pacote da Internet em particular — é impossível. Tentar construir um sistema assim é inútil, e só vai fornecer a criminosos e hackers novas maneiras de se esconder.

Imagine um mundo mágico onde cada pacote da Internet pudesse ser rastreado à sua origem. Mesmo nesse mundo, nossos problemas de segurança não estariam resolvidos. Há uma diferença enorme entre provar que um pacote veio de um determinado computador e provar que um pacote foi enviado por uma determinada pessoa. Esse é justamente o problema que temos com botnets¹, ou pedófilos guardando pornografia infantil em computadores de pessoas inocentes. Nesses casos, sabemos a origem dos pacotes de negação de serviço e do spam; eles vieram de computadores legítimos que foram invadidos. A atribuição não é tão útil quanto parece.

Implementar uma nova Internet sem anonimato é muito difícil, e causa seus próprios problemas. Para termos atribuição perfeita, precisaríamos de agências — organizações no mundo real — para prover credenciais na Internet baseadas em outros sistemas de identificação: passaportes, carteiras de identificação nacionais, carteira de mortorista, sei lá. Sistemas de identificação menos rigorosos, baseados por exemplo em cartões de crédito, são muito fáceis de subverter. Nós não temos nada que chegue perto dessa infraestrutura de identificação global. Além disso, centralizar informação assim na verdade prejudica a segurança pois torna o roubo de identidade um crime muito mais lucrativo.

E, realisticamente, qualquer Internet ideal deveria permitir acesso às pessoas mesmo que elas não tivessem suas credenciais mágicas. As pessoas ainda usariam Internet em lan houses e na casa de amigos. As pessoas perderiam seus tokens mágicos da Internet da mesma maneira que perdem a carteira de motorista e RG hoje em dia. Os métodos legítimos para contornar esses problemas abririam ainda mais caminhos para criminosos e hackers subverterem o sistema.

Além de tudo isso, essa tecnologia mágica de atribuição não existe. Bits são bits; eles não vêm com informações de identidade grudadas neles. Cada sistema de software que já inventamos foi hackeado, repetidamente. Nós não estamos nem um pouco perto de podermos construir um sistema de atribuição invulnerável.

Não que isso importe. Mesmo se pudéssemos rastrear cada pacote perfeitamente, até a pessoa que o enviou em vez de só o computador, o anonimato ainda seria possível. Seria necessário só uma pessoa para implementar um servidor de anonimato. Se eu quisesse mandar um pacote anonimamente para outra pessoa, eu rotearia o pacote através daquele servidor. Para um anonimato ainda maior, eu poderia rotear através de vários servidores desses. Isso é chamado de “onion routing“, e, com criptografia apropriada e um número suficiente de usuários, traz o anonimato de volta para qualquer sistema de comunicação que o proíba.

Tentativas de banir o anonimato da Internet não afetarão as pessoas espertas o suficiente para burlá-las, custariam bilhões e teriam um efeito negligível sobre a segurança. O que essas tentativas afetariam seria o acesso do usuário comum à liberdade de expressão, incluindo aqueles que usam o anonimato da Internet para sobreviver: dissidentes no Irã, na China e em outros lugares.

Decretar identidade universal e atribuição é a meta errada. Aceite que sempre haverá anonimato na Internet. Aceite que sempre será impossível saber com total certeza de onde um pacote veio. Trabalhe nos problemas que podem ser resolvidos: software que é seguro frente a qualquer pacote que receber, sistemas de identificação que são seguros o bastante frente aos riscos. Podemos fazer muito melhor nessas coisas do que estamos fazendo, e elas servirão para melhorar a segurança mais do que tentar consertar problemas insolúveis.

O problema da atribuição é muito parecido com o problema da proteção de cópia / gestão de direitos digitais (DRM). Assim como é impossível fazer com que bits específicos não sejam copiáveis, é impossível saber de onde bits específicos vêm. Bits são bits. Eles não vêm com restrições sobre seu uso junto com eles, nem vêm com informações sobre o autor junto com eles. Quaisquer tentativas de driblar essa limitação falharão, e cada vez mais precisarão ser respaldadas pelo tipo de medidas de estado policial que a indústria do entretenimento está exigindo para fazer a proteção de cópia funcionar. É assim que a China faz isso: polícia, informantes e medo.

Assim como a indústria musical precisa aprender que o mundo dos bits requer um modelo de negócios diferente, o legislativo precisa entender que as idéias antigas de identificação não funcionam na Internet. Para o bem ou para o mal, gostem ou não, sempre haverá anonimato na Internet.

Esse ensaio apareceu originalmente em Information Security, como parte de um ponto/contraponto com Marcus Ranum. Você pode ler a resposta do Marcus logo depois do meu ensaio.

1. NT: botnets são programas instalados sem autorização em computadores de usuários comuns, que permitem que o computador seja controlado à distância. Pessoas com más intenções controlam centenas ou milhares de computadores dessa maneira para invadir outros computadores, enviar spam, entre outras coisas.)

Fonte: http://www.partidopirata.org/node/274

Recuperando filesystem reiserfs

Colaboração: Geisler Alves Dias

Data de Publicação: 15 de fevereiro de 2010

Recentemente meu sobrinho reclamou que minha maquina não estava entrando no linux. parava em uma tela preta com um monte de letrinhas. Quando fui olhar a maquina estava com kernel panic porque não conseguiu montar a partição raiz (“/”).

Procedimento padrão para solução, passar o reiserfsck. Ao iniciar o computador com um linux pelo pendrive, executei o seguinte comando:

  reiserfsck /dev/sda3

A surpresa desagradavel foi a mensagem abaixo:

  read_super_block: can't find a reiserfs  file system

Logo, executei o cfdisk para olhar. A minha surpresa, todas as partições estavam lá e o cfdisk mostrava todos os sistemas de arquivo, exceto o do /dev/sda3. Lendo o man do reiserfsck descobri o seguinte parâmetro “–rebuild-sb” que recupera os super block do reiserfs. Executei então o comando abaixo:

  reiserfsck  --rebuild-sb /dev/sda3

No final, ele solicita que seja executado o comando reiserfsck com o parâmetro “–rebuild-tree”:

  reiserfsck  --rebuild-tree /dev/sda3

Durante a execução, já fiquei feliz, pelo fato do rebuild-tree já estar mostrando as pastas do meu “/”. Ao final da execução montei a partição e tudo estava perfeito.

Show de bola, daí foi apenas reiniciar e o linux carregou normalmente.

“O sufoco ensina muito.”

Blog do Autor: www.geisler.eti.br

Gostei deste tema, vou trazir para pt-br

Gostei deste tema, vou trazir para Pt-Br, pois fica melhor ainda

Um scriptzinho

Esta procurando uma forma de converter muitas imagens de uma vez só. O problema é que eu só necessitava converter a qualidade das imagens .jpg , de 90 para 50.
Depois de uma pesquisa só consegui achar scripts que convertem resulução. Me teoria funcionaria, mas a qualidade de imagem também se perdia. Foi quando encontrei este script no Viva O linux veja neste link.Mas não atendia ao meu objetivo por isso fiz umas mudanças.

Ele é bem simples de usar, coloca ele na pasta que estão as imagens e roda o script.

#!/bin/sh
#Programa: mudares.sh
#Data: 09/04/2004
#Autor: Fabio Ricardo de Barros
#e-mail:fabio@ipiranga.net
#LastUpdt: 25/04/2004
# Este programa destina-se a mudanca de resolucao de arquivos jpg contidos em um diretorio. Para usa-lo, basta estar no diretorio onde estao contidos os arquivos jpg executar o script escolher a resolucao e arguardar.
# Os arquivos convertidos estarao em um diretorio que tera como nome a resolucao escolhida. Ex: se voce escolheu a opcao 2, 640×480, o script criara um diretorio chamado 640×480.
# Este script tem como dependencia o programa convert, que e usado para a conversao dos arquivos.

menu() #Funcao menu(), exibe o menu de escolhas e retorna a opcao escolhida.
{
clear
echo “Escolha a qualidade que deseja converter:”
echo “1 – convert 50″
read OPC1
case $OPC1 in
1)
convert 50 #Chama a funçao convert()
echo
echo CONVERSAO FINALIZADA
echo
echo;;
esac
}

convert() #Funcao convert(), faz a conversao das imagens.
{
mkdir $1
for i in `ls *.jpg *.JPG *.Jpg`;
do
clear
echo Convertendo arquivo: $i para $1;
$PATH_CONV -quality $1 $i -quality $1 $1/$i
done
}

# Inicio do programa
menu

Alemanha: lançado aviso de segurança por causa de Internet Explorer

Governo aconselha utilizadores a escolherem outro navegador.
O governo da Alemanha emitiu um aviso de segurança em relação ao navegador Internet Explorer (IE), aconselhando os internautas a usarem outro programa alternativo.

Segundo a BBC, este aviso surge depois da Microsoft ter admitido que os recentes ataques aos sistemas da Google se deveram a falhas no IE, embora a empresa tenha referido que a alteração do modo de segurança do browser para «alta» eliminaria o problema.

Mesmo com estas advertências da empresa, o governo alemão considera que existe risco.

Em declarações à BBC, Graham Cluley, da empresa de anti- virus Sophos, disse que em causa estão as versões do IE 6, 7 e 8.

http://diario.iol.pt/tecnologi[...]4-tecnologia/1132044-4069.html
Postada por: Marco, marcodefreitas at gmail.com

USP monta centro para receber lixo eletrônico da comunidade

Centro pode descartar ou reciclar objetos como equipamentos obsoletos de informática e telecomunicações

A Universidade de São Paulo (USP) deu início neste ano ao funcionamento de um centro de descarte e reuso de resíduos de informática. Pioneiro na sua modalidade em órgão público e instituição de ensino superior, o centro pretende descartar adequadamente ou reciclar lixo eletrônico, como equipamentos obsoletos de informática e de telecomunicações.

Nos primeiros meses de operação, o centro vai priorizar o tratamento do lixo eletrônico da própria USP. No decorrer do ano, começará a receber o lixo eletrônico da comunidade. As pessoas que tiverem equipamentos eletrônicos obsoletos poderão agendar o descarte ou obter
informações pelo e-mail (cedir.cce@usp.br).

Os equipamentos que forem reciclados serão emprestados a instituições de inclusão digital. Esses equipamentos cumprirão vida útil estimada em dois anos e depois retornarão ao centro para o descarte final correto.

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

Pirataria e Ética Hacker

Jamile Borges
Antropóloga, Professora da FACED-UFBA e Coord. técnica do Museu Digital da Memória Afro-Brasileira. http://www.arquivoafro.ufba.br

Eles já foram símbolo de medo, terror e morte. Já povoaram nossas fantasias e as telas de Hollywood. Hoje, representam a promessa de liberdade na política e na sociedade. De quem estou falando? PIRATAS!

Atos de pirataria eram praticados por tripulantes de navios sem bandeira, em alto-mar, contra propriedades ou pessoas, numa época em que o comércio era primordialmente realizado por vias marítimas. Eram homens que não se submetiam a qualquer tipo de lei; saqueavam embarcações de mercadores e percorriam as rotas comerciais em busca de objetos de valor. Eram vistos como mercenários, assassinos, párias da sociedade.

O mundo mudou e as formas de vender e comprar também mudou. Dos regimes mercantilistas e feudais ao capitalismo globalizado de agora, ser pirata pode até dar certo “status”.

Pirataria nos dias atuais tem outra definição; são novas formas de comércio intelectual, representando uma nova ética: aquela que vai contra a propriedade do conhecimento e a favor da livre circulação de bits. É a chamada Ética hacker. Na prática, isto significa trabalhar sob um sistema de três pilares: colaboração, conhecimento e liberdade.

Noam Chomsky (1928- ) famoso linguista e professor do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT-EUA), no prefácio de seu livro “Piratas & Imperadores, Antigos & Modernos”, (editado pela Bertrand Brasil em 2006) relata a seguinte história: “Santo Agostinho conta a história de um pirata capturado por Alexandre, o Grande, que lhe perguntou: ‘Como você ousa molestar o mar?’ ‘E como você ousa desafiar o mundo inteiro?’, replicou o pirata. ‘Pois, por fazer isso apenas com um pequeno navio, sou chamado de ladrão; mas você, que o faz com uma marinha enorme, é chamado de imperador.”

Esse relato pode nos ajudar a entender as dimensões da pirataria em seu sentido político. Há alguns anos atrás, nomes como Tim Berners-Lee, Steve Wozniak e Linus Torvalds foram também considerados perigosos, hackers, por rejeitarem os modelos propostos para o que se prenunciava como sociedade da informação. Foi o compromisso com a partilha e a livre circulação da informação que os tornou responsáveis por criar aquilo que hoje conhecemos como Internet, World Wide Web (WWW) e a plataforma livre LINUX, concorrente direto da mais difundida empresa de software proprietário do mundo: a Microsoft Windows.
Importante destacar também que aquekes indivíduos que praticam a quebra (ou cracking) de um sistema de segurança, de forma ilegal ou antiética são chamados de Crackers para distingui-los dos Hackers.

Pekka Himanen, um jovem pesquisador finlandês, autor de uma das mais famosa obras do gênero, The Hacker Ethic and the Spirit of the Information Age diz que estamos assistindo a emergência de uma nova ética, que quer se distanciar da ética protestante anunciada pelo sociólogo e economista alemão Max Weber e distante também da ética do trabalho do mundo capitalista. O hacker, segundo ele, deve ser visto como aquele sujeito que no inicio dos anos 60 do século XX, contagiava os jovens com a promessa de um mundo mais solidário e mais colaborativo. Uma espécie de resistência ao modelo de acumulação produtiva do sistema capitalista.

Para Himanen o motor da sociedade do conhecimento não deve ser o capital ou a lógica do trabalho industrial, mas a lógica da paixão criativa, geradora de saberes, colaborativa, não-hierárquica e participativa.

Acho importante ressaltar que este fenômeno, típico da chamada “sociedade em rede”, parafraseando o sociólogo Manuel Castells, deve ser lido mais do ponto de vista socio-antropológico que sob a ótica do desenvolvimento técnico, isto é, a transformação em curso na sociedade contemporânea resulta menos do entendimento e da importância da técnica pelas pessoas e mais da vivência sociológica e do uso contumaz e cotidiano das redes sociais, twitter, facebook, Orkut e outros ambientes de comunicação em massa.

Enfim, odiados pelas grandes corporações e endeusados por jovens no mundo afora, os novos piratas tem causas maiores e mais complexas que pilhar navios e singrar mares.

O que antes era idéia de um pequeno grupo de ativistas transformou-se num partido político, motivado pela condenação, em abril de 2006, dos quatro criadores do Pirate Bay, um dos maiores sites de compartilhamento de arquivos do mundo.

O Partido Pirata foi fundado em 2006 na Suécia, mas obteve apenas um por cento dos votos nas eleições legislativas daquele ano. Após o resultado do processo contra o Pirate Bay condenando seus criadores, o Partido Pirata conseguiu 7,1% dos votos na Suécia no total de votos de toda a Europa, o suficiente para ganhar um assento representativo. As bandeiras principais do partido repousam na tríade: desregulamentação de direitos autorais; abolição do sistema de patente (copyright); redução da vigilância na internet, isto é, diminuição da intervenção das grandes corporações na vida privada dos usuários de serviços de provedores e de compartilhamento de arquivos, combatendo, é claro, a pedofilia, homofobia e outros crimes sexuais e hediondos.
No Brasil, o partido pirata começou a se organizar em 2007 e no final do ano seguinte, seu fórum já contava com mais de 300 partipantes cadastrados.

Compartilhando a mesma bandeira do Partido Sueco, atua na defesa dos direitos humanos, na liberdade de expressão e no direito à privacidade, hoje ameaçadas pela tentativa de controlar e banir a troca de arquivos e o compartilhamento no conhecimento.

Um dos entusiastas dessa nova era, o filósofo Pierre Levy diz vivemos um destes raros momentos, em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado.

Para John Perry Barlow, ativista pela liberdade na Internet e autor da Declaração de independência do ciberespaço, quanto mais um programa é pirateado, mais provavelmente ele se tornará um padrão. Segundo ele, todos esses exemplos acerca dos partidos piratas e o crescimento de websites de downloads gratuitos, apontam para a mesma conclusão: a distribuição não comercial de informação aumenta a venda de informações comerciais. A abundância gera abundância.

Precisamos aprender a lidar com as novas demandas postas pela contemporaneidade para a nova sociedade da informação, o que significa dizer: lidar com as novas formas de ser e habitar esse novo cenário, cada vez mais palco de múltiplos avatares, hiperexposição, criação de novas e híbridas linguagens que nos desafia a sermos melhores leitores e intérpretes do que ainda está por vir.

FONTE: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1428